Liberdade de imprensa!?
Durante este quase último ano, poucas foram as vezes em que comentei acontecimentos nacionais ou internacionais, porque "falar de livros" é a razão principal para a existência deste blog.Não consigo contudo, deixar de comentar as notícias e as imagens a que tenho assistido nestes últimos dias, sobre as já tão faladas caricaturas de Maomé.
Penso, que para a maioria de nós ocidentais, a forma radical como a questão tem sido encarada pelas comunidades muçulmanas espalhadas por vários países, com a habitual queima de bandeiras e ameaças à integridade física de cidadãos estrangeiros, nos deixa estupefactos e simultaneamente revoltados, com o que para nós era à partida uma questão de somenos importância.
Confesso porém, que após ouvir ontem, uma entrevista ao caricaturista responsável, em que este afirmou que o objectivo do jornal Dinamarquês era testar a reacção da comunidade muçulmana instalada na Dinamarca, às caricaturas publicadas, tudo isto em nome da lei de Liberdade de imprensa, também eu tive vontade de queimar algumas bandeiras…
Se é verdade que para mim, o Deus é o mesmo em toda a parte, apenas muda o nome e os hábitos religiosos com que o trazemos na nossa vivência diária, também é verdade que todos sabemos que o profeta Maomé é para a religião muçulmana, o seu símbolo principal e figura sempre presente nas vidas de quem a professa.
Muitas acções tem sido feitas em nome do profeta, grande parte de cariz violento e que têm causado perdas de vidas humanas, quase sempre inocentes. Penso que essas acções não terão o apoio de todos os muçulmanos, apenas daqueles que em nome de uma religião se arrogam ao direito de matar e aterrorizar quem pensa de maneira diferente.
Não somos historicamente inocentes! Também eu como cristã que sou, professo uma religião que foi responsável por queimar pessoas inocentes em fogueiras, ou mesmo dizimar comunidades indígenas inteiras, tudo isto porque também pensavam de maneira diferente.
Se a minha liberdade acaba aonde começa a liberdade dos outros, uma lei mesmo chamada de Liberdade de Imprensa, não pode servir de escudo para ofender quem têm ideias e ideais diferentes dos meus, por mais absurdos que para mim eles possam ser.
Fiquem Bem!

5 Comments:
Isabel: eu já tinha lido o teu artigo no blog. Em geral concordo contigo. Sinceramente. Mas há nesta história uns dados que precisam de ser esclarecidos. Não sei se os caricaturistas tiveram falta de bom senso num tema tão delicado com este; se a história tem por detrás outros intervenientes (parece-me que vive na Dinamarca um dirigente muçulmano responsável por várias cenas pouco recomendáveis, tal como acontece em Inglaterra); quem sabe se ele não geriu na sombra todo este problema para depois poder exercer represálias; se, se... Mas não tenho dúvida em dizer que a resposta muçulmana é tremendamente exagerada, que os lideres religiosos (e políticos, que na religião muçulmana andam de mãos dadas)aproveitam todos os pretextos para fazerem sangue (em casa ou fora dela), porque nisso reside a sua sobrevivência e a de uma sociedade que não ultrapassou os padrões da Idade Média. Não tenho também dúvidas que muito do dinheiro que o Ocidente envia para estes países é desviado para contas de lideres corruptos, a quem convém manter o status quo. E o que me custa é que o Ocidente não reage na mesma medida, arriscando-se a que a castanha lhe rebente dentro de portas. Lembra-te que a Europa está atravessada por populações muçulmanas que para cá vêm procurar trabalho, mas sem se integrarem no modo de vida ocidental. Se tu fores a um país árabe tens de, no mínimo, cobrir a cabeça, porque a mulher lá é apenas uma parideira e uma fonte de prazer. São civilizações completamente diferentes, mas nós não podemos passar a vida a ajoelharmo-nos e a tentar compreendê-los. Demasiada humildade é burrice. Tal como tu também eu entendo que a minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros. Mas o que está em causa é que esses lideres muçulmanos estão a ver todo o seu poder ameaçado pelo modo de vida ocidental neste mundo globalizado. E, claro, os americanos têm dado uma ajuda para o crispar da situação com a sua política de aceder a qualquer preço às fontes de energia. O tema é vasto e não passa só pela liberdade de imprensa.
Um abraço
acima de tudo tem que haver liberdade de expressão criativa, poder de encaixe e bom humor.
tudo o que é extremismos, a mim causa-me náuseas!
bj
subscrevo. mt.
:) beijos . de uma outra isabel.
Concordo. No rescaldo deste tema, que se tornou num completo absurdo, bom seria que mais pessoas se consciencializassem dessa máxima, que bem refere e resume a essência da tolerância e da necessária coabitação: "a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros".
Olá!
Querida Isabel, concordo com o seu comentário. Não devemos usar a liberdade de imprensa de modo leviano e atacando um sistema de crenças diferentes do nosso. A liberdade, a nossa liberdade, acaba onde começa a dos outros.Um grande abraço.
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